Médicos e médicas cearenses realizaram manifestação na noite desta quarta-feira, 7/4, no cruzamento das avenidas Antônio Sales e Rui Barbosa, em Fortaleza. Integrantes do Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS levaram às ruas faixas relativas ao recorde de mortes, com 4.195 óbitos em 24h por Covid-19 no Brasil e mais de 330 mil vítimas fatais oficialmente registradas.

Na manifestação, os médicos protestaram contra as ações erradas e omissões do Governo Federal quanto à pandemia. Reivindicaram vacinação já para todos, auxílio emergencial de ao menos R$ 600,00 (com retorno ao valor original do auxílio, inclusive aos R$ 1200,00, para mulheres provedoras exclusivas de sua família), ampla distribuição de máscaras PFF-2/N95, como política pública, e de cestas básicas, para mais pessoas terem condições reais de cumprir um isolamento social efetivo e se manter em segurança e com dignidade.

“100 mil, 200 mil, 300 mil, 330 mil mortes. Quantas mais?”, questionaram os médicos em uma das faixas erguidas na manifestação”. “Fora Bolsonaro. O SUS salva. Ele não”, ressaltaram em outras faixas, erguidas aos motoristas que passaram pelo movimentado cruzamento da capital cearense. Em outra faixa, enfatizaram: “Não existe ‘tratamento precoce’ para Covid-19”, mensagem ainda necessária neste dia em que o presidente da República voltou a defender em longa entrevista o uso de medicamentos comprovadamente sem eficácia contra a doença.

“Estamos aqui, neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, para denunciar a situação sanitária, epidemiológica e principalmente humanitária que estamos vivendo, com novos recordes de mortes por Covid-19 no Brasil a cada dia. Mortes que poderiam ser evitadas, porque já temos o desenvolvimento da prevenção efetiva, que é a vacina”, destacou a médica Liduína Rocha.

“É necessária a vacina, organizada e distribuída pelo SUS, para garantir o princípio da equidade, com as pessoas que mais precisam recebendo primeiro e de forma efetiva. E enquanto não houver a vacina, é preciso garantir o isolamento social determinado pelo comitê de cada município ou estado, de acordo com a realidade epidemiológica de cada local, e não por outras pressões”, acrescentou a integrante do Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS.

“É preciso também que haja máscaras de qualidade para todos. s populações mais vulneráveis precisam ter acesso a máscaras que de fato protejam, como a PFF-2 e a N95 e que haja um auxílio emergencial que respeite a dignidade humana. Entendemos que auxílio emergencial de R$ 150,00 a R$ 375,00 não é um auxílio que respeite a vida humana. Por isso estamos aqui”.

Seguindo os devidos cuidados, a manifestação contou com a presença de poucos médicos, como representantes do Coletivo, todos sempre mantendo o distanciamento prudencial, utilizando máscaras e estando em espaço aberto e arejado.

(Fotos: Divulgação/Marília Quinderé)