1.113 médicos cearenses ou atuantes no Ceará lançaram um manifesto cobrando uma grande mudança no plano nacional e uma saída humanitária para a grave crise da pandemia, atualmente em seu pior momento, com o Brasil superando a marca de 3 mil mortes nas últimas 24 horas.

O abaixo-assinado lançado nas redes sociais do grupo Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS foi endossado por 1.113 médicos e médicas vem causando grande repercussão. No documento, os profissionais de saúde lamentam que Governo Federal boicote, desde o início, as medidas de combate à pandemia.

“Nossos corpos, os corpos dos colegas médicos e de tantos outros profissionais de saúde, estão na linha de frente, com exaustão e dor. Nunca tivemos tantos colegas adoecendo e falecendo”, ressaltam. “Enquanto isso, são inúmeras as declarações do presidente Bolsonaro em desrespeito aos profissionais de saúde, às vítimas da Covid-19  e aos seus familiares. De ‘não sou coveiro’ à ordem para ‘invadir e filmar hospitais’. De ‘deixem de mimimi’ até a lamentação pela aprovação da vacina”.

“Em vez de vacinação, falam de ivermectina e cloroquina. Em vez de incentivar a prevenção e de salvar vidas, fazem chantagem com a falsa dicotomia ‘vida ou trabalho’, promovem carreatas ilegais e ‘fake news’. Falta respeito à saúde pública e a cada cidadão”, afirma o documento que segue recebendo novas assinaturas.

Reivindicações para mudança emergencial

No abaixo-assinado os médicos cearenses destacam cinco pontos de afirmação ou reivindicação:

1. Precisamos urgentemente de uma saída humanitária para essa grave crise! É fundamental garantir que a maior parte da população seja vacinada de forma rápida para impedir nova onda de casos. É necessário o isolamento social, para diminuir as mortes enquanto a vacina não chega a mais gente. É vital o auxílio emergencial em valor condizente com a dignidade.

2. Não podemos nos calar diante do projeto que prioriza a morte. Repúdio é o nosso sentimento pelo governo Bolsonaro.

3. Diante das pesquisas científicas e por princípio ético, nos recusamos a utilizar tratamentos e medicamentos sem comprovação científica de eficácia. Repudiando a insistência nesse caminho, defendemos as condutas corretas, que salvam vidas, com base na ciência;

4. Apoiamos a iniciativa dos governadores e prefeitos em ampliar a rede de assistência à saúde, em tomar as medidas de proteção coletiva e, inclusive, em adquirir vacinas eles mesmos, diante da absoluta lentidão do Governo Federal em tomar essas medidas;

5. Exigimos a responsabilização de Bolsonaro e de seu governo, que não tiveram seriedade contra a pandemia, permitindo que o País chegasse à atual situação, motivo de vergonha, lamento, preocupação, para nós e para o mundo.

Basta! Chega de desrespeito à vida! Chega de projeto de morte!  Nós, abaixo assinados, médicas e médicos do Ceará, reivindicamos a defesa da vida, da ciência, do SUS.

A lista de assinaturas está disponível no Facebook do Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, da Associação Brasileira de Médicos e Médicas pela Democracia e da Rede Nacional de Médicos Populares:

https://www.facebook.com/coletivorebentomedicos/photos/a.104853901236652/273708127684561/